Ergonomia
A ergonomia, ou human factors (fatores humanos) ou human factors & ergonomics (fatores humanos e ergonomia), expressões pelas quais é conhecida nos Estados Unidos da América, é a disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema, e também é a profissão que aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. Esta é a definição adotada pela Associação Internacional de Ergonomia (International Ergonomics Association - IEA) em 2000.
A ergonomia pode ser definida como \"o estudo de aspectos do trabalho e sua relação com o conforto e bem estar do trabalhador\", ou ainda, o estudo da adaptação do trabalho ao homem. Geralmente, ela se ocupa de fatores do trabalho relacionados às posturas, movimentos e ritmo determinados pela atividade e do conteúdo dessa atividade, nos seus aspectos físicos e mentais.
Segundo a definição dada pela Ergonomics Research Society, ergonomia é \"o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento\".
Ergonomia é a ciência que lida com o estudo das características dos trabalhadores para adaptar as condições de trabalho a essas características. O objetivo da ergonomia é investigar aspectos do trabalho que possam causar desconforto aos trabalhadores e propor modificações nas condições de trabalho para torná-las confortáveis e saudáveis.
Em uma situação ideal a ergonomia deve ser aplicada desde etapas iniciais do projeto de uma máquina, ambiente ou local de trabalho. Estas devem sempre incluir o ser humano como um de seus componentes, prevenindo a ocorrência de futuras complicações osteomusculares.
As interações entre o trabalho e o homem são bases de pesquisas da biomecânica ocupacional na qual se analisam, essencialmente, a aplicação de forças e tensões a que os grupos musculares são mantidos durante uma determinada postura no desempenho das atividades laborais. Esse comportamento postural adotado pelos trabalhadores, resumidamente, é influenciado pelas características da tarefa e pelo meio ambiente de trabalho.
Estes fatores podem desenvolver sobrecargas e aumento do gasto energético com conseqüente produção de tensões nos músculos, ligamentos e articulações resultando em desconfortos e dores, que são precedentes de doenças ocupacionais.
A abordagem da fisioterapia cresce a cada dia principalmente pela descoberta da importância do investimento em ações preventivas no combate aos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. É interessante iniciar essas ações com a desmistificação do processo patológico e o estímulo da consciência postural do funcionário perante os utensílios de trabalho, inclui-se também campanhas educacionais, implantação dos princípios ergonômicos no ambiente de trabalho e desenvolvimento de técnicas de alongamento e relaxamento através de exercícios laborais.
Os ergonomistas contribuem para o projeto e avaliação de tarefas, trabalhos, produtos, ambientes e sistemas, a fim de torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas.
História
O médico italiano Bernardo Ramazzini (1633-1714) foi o primeiro a escrever sobre doenças e lesões relacionadas ao trabalho, em sua publicação de 1700 \"De Morbis Artificum\" (Doenças Ocupacionais). Ramazzini foi discriminado por seus colegas médicos por visitar os locais de trabalho de seus pacientes a fim de identificar as causas de seus problemas. O termo ergonomia, derivado das palavras gregas ergon (trabalho) e nomos (lei natural) entraram para o léxico moderno quando Wojciech Jastrzebowski o usou em um artigo em 1857.
No século XIX, Frederick Winslow Taylor lançou seu livro \"Administração Científica\", com uma abordagem que buscava a melhor maneira de executar um trabalho e suas tarefas. Mediante aumento e redução do tamanho e peso de uma pá de carvão, até que a melhor relação fosse alcançada, Taylor triplicou a quantidade de carvão que os trabalhadores podiam carregar num dia.
No início do anos 1900, Frank Bunker Gilbreth e sua esposa Lilian expandiram os métodos de Taylor para desenvolver \"Estudos de Tempos e Movimentos\" o que ajudou a melhorar a eficiência, eliminando passos e ações desnecessárias. Ao aplicar tal abordagem, Gilbreth reduziu o número de movimentos no assentamento de tijolos de 18 para 4,5 permitindo que os operários aumentassem a taxa de 120 para 350 tijolos por hora.
A Segunda Guerra Mundial marcou o advento de máquinas e armas sofisticadas, criando demandas cognitivas jamais vistas antes por operadores de máquinas, em termos de tomada de decisão, atenção, análise situacional e coordenação entre mãos e olhos.
Foi observado que aeronaves em perfeito estado de funcionamento, conduzidas pelos melhores pilotos, ainda caíam. Em 1943, Alphonse Chapanis, um tenente no exército norte-americano, mostrou que o \"erro do piloto\" poderia ser muito reduzido quando controles mais lógicos e diferenciáveis substituíram os confusos projetos das cabines dos aviões.
Em 1949, K.F.H. Murrel, engenheiro inglês, começou a dar um conteúdo mais preciso a este termo, e fez o reconhecimento desta disciplina científica criando a primeira associação nacional de Ergonomia, a Ergonomic Research Society, que reunia fisiologistas, psicólogos e engenheiros que se interessavam pela adaptação do trabalho ao homem. E foi a partir daí que a Ergonomia se desenvolveu em outros países industrializados e em vias de desenvolvimento.
Nas décadas seguintes à guerra e até os dias atuais, a ergonomia continuou a desenvolver-se e a diversificar-se. A era espacial criou novos problemas de ergonomia tais como a ausência de gravidade e forças gravitacionais extremas. Até que ponto poderia este ambiente ser tolerado e que efeitos teria sobre a mente e o corpo? A era da informação chegou ao campo da interação homem-computador enquanto o crescimento da demanda e a competição entre bens de consumo e produtos eletrônicos resultou em mais empresas levando em conta fatores ergonômicos no projeto de produtos.
O termo Ergonomia foi adotado nos principais países europeus (a partir de 1950), onde se fundou em 1959 em Oxford, a Associação Internacional de Ergonomia (IEA – International Ergonomics Association), e foi em 1961 que esta associação realizou o seu primeiro congresso em Estocolmo, na Suécia. Nos Estados Unidos foi criada a Human Factors Society em 1957, e até hoje o termo mais frequente naquele país continua a ser Human Factors & Ergonomics (Fatores Humanos e Ergonomia ) ou simplesmente Human Factors, embora Ergonomia tenha sido aceita como sinônimo desde a década de 80. Isto ocorreu porque no princípio a Ergonomia tratava apenas dos aspectos físicos da atividade de trabalho e alguns estudiosos cunharam o termo Fatores Humanos de forma a incorporar os aspectos organizacionais e cognitivos presentes nas atividades de trabalho humano. Além disso, existe um obstáculo profissional que envolve a questão, já que somente engenheiros podem ser \"human factors engineers\" (engenheiros de fatores humanos)esses profissionais temem perder mercado ao aceitar uma associação mais efetiva com ergonomistas, preferindo assim continuar associados à HFES (Human Factors and Ergonomics Society) mais diretamente relacionada à engenharia.
Área
A Associação Internacional de Ergonomia divide a ergonomia em três domínios de especialização. São eles:
Aplicações
Os mais de vinte subgrupos técnicos da Sociedade de Fatores Humanos e Ergonomia (Human Factors and Ergonomics Society - HFES) indicam a ampla faixa de aplicações desta ciência. A engenharia de fatores humanos continua a ser aplicada na aeronáutica, envelhecimento, transporte, ambiente nuclear, cuidados de saúde, tecnologia da informação, projeto de produtos (design de produto), ambientes virtuais e outros.
Hoje em dia as organizações estão tentando atuar de várias formas para conter os estragos causados pelos afastamentos médicos e pela recente explosão no surgimento distúrbios e de doenças no sistema músculo-esquelético. Esta avalanche de problemas não surgiu por acaso, para que haja um bom entendimento é preciso observar no passado recente, e nos permitir fazer o seguinte questionamento: “O quanto e como minha empresa investiu no conforto e na adequação do trabalho para que não houvesse problemas para os colaboradores?”.Muito tempo passou, onde a principal preocupação foram os estudos de tempos e métodos para encontrar uma maximização dos resultados da produção, de modo a tornar mais efetivos os meios de produção. E neste momento, não se analisaram criticamente quais seriam os possíveis impactos que esta maximização poderia causar para a força de produção.
Outro ponto que realmente auxiliou no aumento desta problemática foi o caráter muito operacional e pouco analítico, na atuação da equipe da área de segurança e saúde ocupacional. É válido deixar claro a importância do trabalho operacional, pois ele é que fundamenta e faz originar todos os dados que necessitamos para compor o conceito analítico de qualquer avaliação, sobretudo o trabalho dos SESMT’s vem realizando, muitas vezes não explora o lado analítico das situações. Isto porque, por muito tempo os SESMT’s foram treinados à serem muito práticos e não perder tempo, isto é óbvio, ninguém quer perder tempo, algo muito parecido com o fenômeno que acontecia na década de 90 com a construção civil, onde as construtoras e projetistas tentavam emplacar seus lançamentos e condomínios para lançamento das vendas e entrega no menor período de tempo possível, mais isto gerava grandes prejuízos no decorrer do tempo, pela falta completa de planejamento e de consolidação de projetos, hoje em dia se prefere realizar um planejamento, um gerenciamento de projeto onde a consolidação de todos os projetos convergem para se evitar resultados indesejados ou prejuízos desnecessários.
Ergonomia e sistema da qualidade
A ergonomia aplica-se ao desenvolvimento de ferramentas de ações sistematizadas em virtude uma política da qualidade e a critérios de averiguação de sua aplicação, como na assimilação da cultura do bem fazer por bem estar e compreender, nas chamadas auditorias ou análises de qualificação e mapeamentos de processos, e atinge a segmentos diversos quando margeia a confiança aos métodos de interpretação e a introdução de novos aplicativos, artefatos e até de gerenciamento de pessoas inerentes ou inseridas a um grupo. Os sistemas de qualidade em disseminação, quando de sua possibilidade em humanizar os processos volta-se a racionalizar o homem ao sistema e a interface da pessoa com o método.
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